O ministro de Estado para a Coordenação Económica afirmou, terça-feira, em Berlim, que Angola é, hoje, um dos mais promissores destinos turísticos de África.
Ao discursar no jantar de alto nível de lançamento do “Angola Doing Business Tourism”, evento paralelo à Feira Internacional de Turismo de Berlim, que encerra amanhã, José de Lima Massano destacou o ponto de viragem que está a ser dado pelo país, “uma nação onde a beleza natural, a riqueza cultural e a oportunidade económica se conjugam de forma singular”.
“Somos abençoados com uma diversidade extraordinária: 1.650 quilómetros de costa atlântica de águas quentes; o ancestral Deserto do Namibe, lar da icónica Welwitschia Mirabilis; e as nascentes do Okavango, um dos sistemas fluviais mais vitais da África Austral”, sublinhou Massano, para quem estas paisagens não são apenas deslumbrantes, “são activos estratégicos para um turismo sustentável”.
O governante referiu-se, igualmente, ao facto de Angola deter um património natural notável, com 14 áreas protegidas — incluindo nove parques nacionais – que salvaguardam ecossistemas que acolhem espécies migratórias endémicas e emblemáticas.
Outra nota foi dada sobre o Projecto Okavango-Zambeze, a maior área de conservação transfronteiriça terrestre do mundo, de que, segundo José de Lima Massano, o país se orgulha de integrar. “Este posicionamento coloca Angola no centro de um dos mais relevantes corredores ecológicos do Planeta e abre caminho ao ecoturismo de alto valor, aos safáris fotográficos e ao investimento orientado para a natureza”, considerou.
Contributo do turismo na economia angolana
O ministro de Estado para a Coordenação Económica destacou, igualmente, o fortalecimento da economia angolana e das oportunidades e perspectivas que se abrem no turismo.
No último trimestre de 2025, revelou José de Lima Massano, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,7%, acima da média regional, numa altura em que o turismo começa a assumir um contributo significativo. Ainda no ano passado, disse, as chegadas internacionais aumentaram 30%, tornando Angola o destino turístico com crescimento mais rápido em África e o quarto a nível mundial. “As receitas do turismo atingiram 667 milhões de dólares”, sublinhou.
A indústria hoteleira também está em franca expansão: de 1.260 unidades, em 2021, os números subiram para 1.428, em 2024, com taxas de ocupação superiores a 72%, revelou José de Lima Massano, destacando o turismo de negócios que se mantém predominante, “reflectindo o papel crescente de Angola como plataforma empresarial regional”.
Esse progresso, ressaltou, resulta de reformas e investimentos estratégicos do Governo de Angola, tendo-se referido ao reforço da conectividade internacional, com a inauguração do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, uma infra-estrutura moderna com capacidade para 15 milhões de passageiros por ano.
Massano referiu-se, igualmente, ao Aeroporto da Catumbela, que beneficiou de certificação internacional, consolidando o corredor aéreo costeiro e ligando Angola de forma mais eficiente à Europa, às Américas e à Ásia.
Relação entre o Corredor do Lobito e o turismo
José de Lima Massano destacou, ontem, em Berlim, a relação do Corredor do Lobito e o turismo. O ministro de Estado esclareceu que a infra-estrutura, que liga Angola à RDC e à Zâmbia, não é apenas uma rota comercial, é também uma futura rota turística, conectando a costa atlântica ao interior do continente.
Sobre a o quadro regulatório, referiu-se à Lei do Investimento Privado, que oferece incentivos competitivos e assegura a repatriação segura de capitais. “Introduzimos um regime de licenciamento zero, reduzimos custos, descentralizámos aprovações e facilitámos, significativamente, a criação de negócios no sector”, disse.
O governante destacou, também, a aposta que o Executivo faz nos recursos humanos. “Pretendemos formar 10 mil profissionais até 2027, garantindo uma força de trabalho preparada para um mercado global competitivo”, afirmou, ao convidar empresários a investirem em Angola.