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Governo 20-04-2026
ANGOLA Papa recebido com honras de Estado

O Papa Leão XIV foi recebido com honras de Estado, na tarde de sábado, 18 de Abril, em Luanda, dando início à sua visita pastoral de quatro dias ao país.

À sua chegada ao Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, o líder da Igreja Católica Romana foi recebido pelo Presidente da República, João Lourenço, acompanhado da Primeira-Dama, Ana Dias Lourenço.

O Papa foi alvo de honras militares, tendo sido disparadas 21 salvas de canhão enquanto eram executados os hinos nacionais dos dois Estados.

Na sequência, cumprimentou membros do Executivo angolano e apresentou os integrantes da delegação que o acompanha nesta viagem apostólica.
Os dois líderes dirigiram-se depois para uma sala protocolar no aeroporto, onde trocaram breves impressões.

Em seguida, o Papa deslocou-se à Cidade Alta, no papamóvel, acompanhado pelo núncio apostólico em Angola, Kryspin Dubiel, para um encontro oficial com o Chefe de Estado.

Durante o trajecto pelas principais artérias da cidade de Luanda, foi calorosamente ovacionado pela multidão, à qual acenava em gesto de proximidade e carinho.

No Palácio Presidencial, os dois líderes pousaram para uma fotografia oficial no hall e, no Salão Nobre, procederam à troca de lembranças, gesto que reafirma os laços de amizade e estima entre Angola e a Santa Sé.

Como oferta, Angola presenteou o Santo Padre com uma escultura em madeira do artista João Domingos Mabuaca, conhecido por “Mayembe”, peça que simboliza a comunhão entre Estado, cultura e religião.

A obra, reafirma Angola como nação que encontra na fé cristã a consolidação da sua identidade e na arte a expressão sublime da sua alma colectiva.
Por sua vez, o Papa retribuiu com uma medalha do Vaticano.

Depois de deixar o Palácio, no percurso até ao Salão Protocolar da Presidência da República, onde decorreu o encontro com o Corpo Diplomático residente em Angola, membros da sociedade civil e religiosos, repetiu-se o cenário de grande afluência popular, com multidões ansiosas por ver e saudar o Sumo Pontífice.

A moldura humana tomou conta das vias por onde passava o papamóvel, num ambiente marcado por aplausos e acenos.

Já no Salão Protocolar, antes do discurso do Presidente da República, o Santo Padre assistiu à interpretação do clássico do cancioneiro angolano “Muxima”, pelo músico Carlitos Vieira Dias, acompanhado por Mister Kim, Joãozinho Morgado, Beth, Raquel e Jorge Mulumba.

No final do encontro, o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), José Manuel Imbamba, considerou que as mensagens tanto do Chefe de Estado como do Papa foram “muito fortes”, sublinhando a necessidade de colocá-las em prática com qualidade de inteligência, trabalho e estudo, para alcançar o desenvolvimento almejado por todos.

A visita, que assinala a primeira deslocação de Leão XIV ao continente africano, começou no dia 13 deste mês na Argélia, seguiu para os Camarões, de onde veio a Angola, ficando até terça-feira.

Além de Luanda, desloca-se às províncias do Icolo e Bengo e Lunda-Sul, antes de viajar à Guiné Equatorial.

Antes de Leão XIV, já tinham visitado Angola os papas João Paulo II e Bento XVI, ambos já falecidos.

O primeiro fê-lo de 4 a 11 de Junho de 1992, ao passo que o segundo esteve em Angola de 20 a 23 de Março de 2009.

Fonte: CIPRA
Governo 20-04-2026
Visita de Leão XIV destacada na imprensa internacional

A visita apostólica do Papa Leão XIV a Angola está a merecer amplo destaque na imprensa internacional. A forte mobilização popular, a dimensão espiritual do evento e o impacto no continente africano são os aspectos mais sublinhados nas matérias noticiadas por diversos países.

Publicações de referência como a BBC, CNN, Al Jazeera, Euronews, Reuters, Lusa, Público, entre outras, relevaram amplamente a deslocação do Santo Padre a Angola, com reportagens que realçam a adesão massiva dos fiéis, bem como as mensagens do Papa e o simbolismo da visita.

A BBC, por exemplo, enfatizou “a impressionante multidão que tomou as ruas de Luanda”, enquanto a Reuters sublinhou o ambiente de ordem e devoção, classificando-o como um dos maiores eventos religiosos recentes no país.
Já a Al Jazeera, aludiu ao papel crescente de África na agenda do Vaticano, enquanto CNN apontou a visita como um momento de “forte carga simbólica e diplomática”.

A imprensa internacional tem também destacado a mensagem de paz, reconciliação e solidariedade transmitida pelo Líder da Igreja Católica Apostólica Romana durante os encontros com os fiéis, com particular foco na missa campal realizada na Centralidade do Kilamba.

Analistas citados por vários meios consideram que a presença de Leão XIV reforça o papel da Igreja como agente social e moral em África, além de contribuir para a projecção internacional de Angola.

Além da dimensão religiosa, os órgãos internacionais retraram, ainda, a capacidade organizativa de Angola na realização de um evento desta magnitude, evidenciando um ambiente de segurança, hospitalidade e participação cívica.

A visita do Papa Leão XIV consolida, assim, a visibilidade do país no panorama internacional. Em paralelo, consolida os laços entre Angola e a Santa Sé.

Fonte: CIPRA
Governo 18-04-2026
EM LIBREVILLE

Primeira-Dama da República reforça compromisso do país com a resiliência das mulheres africanas face às alterações climáticas

A Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, reafirmou o compromisso do país em apoiar activamente a campanha “Construir Resiliência para Mulheres e Meninas: Clima, Conflito e Futuros Sustentáveis”, lançada hoje, 17 de Abril, em Libreville, República do Gabão.

Durante a Cerimónia oficial de lançamento desta iniciativa da Organização das Primeiras-Damas Africanas para o Desenvolvimento (OAFLAD), Ana Dias Lourenço, Vice-Presidente desta organização, considerou indispensável a capacitação das comunidades para resistirem e adaptarem-se as adversidades, especialmente aquelas afectadas pelas alterações climáticas, permitindo que todas as meninas tenham a oportunidade de construir o seu próprio futuro.

A Primeira-Dama reiterou ainda que a campanha surge como apelo à acção colectiva.

“Nenhum país, nenhuma instituição, nenhuma comunidade pode enfrentar estes desafios isoladamente. É necessário reforçar parcerias, promover a cooperação regional e internacional e mobilizar recursos para respostas integradas e sustentáveis”, sublinhou.

Na ocasião, a Primeira-Dama de Angola partilhou igualmente o impacto das alterações climáticas que assolaram Angola nos últimos dias, tendo deixado centenas de famílias desalojadas e registos de vítimas mortais, maioritariamente mulheres e crianças.

Fonte: CIPRA
Governo 18-04-2026
DISCURSO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA

-Sua Santidade Papa Leão XIV, Sumo Pontífice da Igreja Católica Romana,

-Distintos Membros da delegação do Vaticano,

-Caros Membros do Governo,

-Excelentíssimos Senhores Deputados da Assembleia Nacional,

-Distintos Membros da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe,

-Estimados Membros do Corpo Diplomático acreditado na República de Angola,

-Senhoras e Senhores das Organizações representativas da Sociedade Civil,
-Minhas Senhoras, Meus Senhores

Ao receber Vossa Santidade em Luanda, desejo-Vos, no meu nome próprio, no da minha família e no do povo angolano, as boas-vindas a Angola, país que O acolhe com alegria e entusiasmo.

Expressamos o nosso grande regozijo por estar entre nós nestes próximos dias, em que terá a oportunidade de constatar o grande carinho e simpatia de que goza por parte dos fiéis católicos, dos cristãos e dos angolanos em geral.

Neste acto em que estão presentes representantes dos vários sectores da vida nacional angolana, gostaria de Vos expressar o quão honrados nos sentimos por tê-Lo tão próximo de nós.

Esta visita, a terceira que um Sumo Pontífice realiza ao nosso país, é o reflexo das relações construtivas que a República de Angola e a Santa Sé mantêm há décadas e que sinalizam, hoje, mais um passo no reforço do diálogo e das bases sobre as quais assenta o grande papel social da Igreja Católica.

Importa recordar que o primeiro contacto oficial entre a Santa Sé e esta região de África remonta ao século XVII, quando o Príncipe António Manuel Nsako Ne Vunda, mais conhecido por “Negrita”, se deslocou de Mbanza Congo, então capital do Reino do Congo, até Roma, por incumbência do seu Rei, para encetar uma diligência diplomática junto da Santa Sé.

As relações diplomáticas entre a República de Angola e a Santa Sé foram formalizadas num contexto político nacional diferente daquele que levou à assinatura, aos 13 de Setembro de 2019, do Acordo-Quadro que estabeleceu os parâmetros jurídicos das relações entre a República de Angola e a Santa Sé.

Sua Santidade,
Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Mesmo nas circunstâncias mais difíceis do passado, o diálogo entre as autoridades angolanas e as instituições religiosas católicas manteve-se sempre voltado para a construção de entendimentos que passaram também pelo intercâmbio de delegações ao mais alto nível, materializado pelas visitas de Chefes de Estado angolanos ao Vaticano em pelo menos três ocasiões.

Esta busca constante de diálogo e de interacção entre o Estado e a Igreja Católica ajudou o Governo angolano na formulação de políticas sociais, com a realização de investimentos nos sectores da saúde, da educação e ensino, da oferta de água, energia eléctrica, habitação, na criação de emprego e no combate à pobreza.

Esta é uma missão em que estamos profundamente empenhados e com a noção plena de que se trata de um desafio complexo e difícil, que requer tempo e recursos que não são tão abundantes quanto desejaríamos, para melhorarmos os índices de qualidade de vida dos angolanos.

Gostaríamos de poder contar com um envolvimento mais construtivo da Igreja Católica na condição de parceira social do Estado, para juntos trabalharmos no propósito de alcançar o progresso e o desenvolvimento económico e social do nosso país.

A ideia central da atenção aos pobres, plasmada na Exortação Apostólica
Dilexi Te de Vossa Santidade, em que considera, cito: “Deus tem um lugar especial no seu coração para aqueles que são discriminados e oprimidos” e “apela a escolhas radicais para ajudar os mais fracos”, tem uma ressonância muito especial entre nós, governantes, porque serve de guia na nossa acção quotidiana de luta contra as desigualdades, a indiferença e a exclusão social.

Sua Santidade,
Minhas Senhoras, Meus Senhores,
Excelências,

Estou seguro de que Vossa Santidade terá a oportunidade de observar mais de perto a profundidade da fé dos angolanos e de apreender de forma mais objectiva as iniciativas que o Estado angolano empreende para dignificar locais de culto e peregrinação, de que realço a Basílica da Nossa Senhora da Muxima, em fase de construção, onde os cristãos católicos poderão expressar em melhores condições a sua devoção a Deus.

Somos um Estado laico, onde cada cidadão pode expressar livremente a sua fé, fazendo opções pelas confissões religiosas com as quais mais se identifica, sem nenhuma restrição à sua liberdade de escolha.

O Catolicismo tem uma grande expressão, que se reflecte no grande número de crentes e na sua grande expansão pelo território nacional.

Temos em Angola uma grande diversidade de religiões, que convivem entre si pacificamente e trazem à evidência o carácter profundamente tolerante dos angolanos, tendo-se consolidado já a prática de todos os anos, em algumas datas históricas, se realizarem cultos ecuménicos, que são rotativamente dirigidos por líderes de diferentes confissões religiosas.

Sua Santidade
Minhas Senhoras, Meus Senhores,
Excelências,

A trajectória e a experiência da República de Angola ao longo das últimas cinco décadas constituem uma boa ilustração do facto de sermos uma Nação que consagra a resolução das crises pelo diálogo.

Trata-se de um forte marco identitário da nossa diplomacia, que tem moldado de maneira significativa a nossa política externa e que nos tem levado a desenvolver iniciativas diversas em prol da paz no nosso continente.

Olhamos para o mundo como um espaço de coexistência entre pessoas e nações de culturas e religiões diferentes e com a firme convicção de que, apesar desta diversidade, todos podem e devem conviver pacificamente.

Só em paz e em harmonia podemos todos desfrutar dos recursos que a
Natureza coloca ao nosso dispor.

Lamentavelmente, assistimos cada vez mais a uma corrida desenfreada às matérias-primas, aos recursos energéticos, aos recursos minerais e outros, tomados pela força das armas dos exércitos mais poderosos do mundo contra países soberanos.

O comércio internacional tem regras bem estabelecidas que, uma vez cumpridas, as empresas e os Estados, através de contratos e de acordos, podem ter acesso aos recursos que precisam para a satisfação das suas necessidades, sem que tenham de recorrer à guerra.

Vive-se um momento perigoso com os conflitos que se proliferam por todos os continentes.

O Médio Oriente, berço do Cristianismo, do Islão e do Judaísmo e de grandes civilizações, de quem a Humanidade tem muito que agradecer, devia ser uma zona de paz, de concórdia e de fraternidade.

Pelo contrário, constatamos com muita mágoa o sofrimento dos povos da Palestina, do Líbano e de todos os países do Golfo Pérsico, região produtora e exportadora de petróleo e gás para uma boa parte do mundo e com economias prósperas e em franco e acelerado crescimento, a ruir como consequência das guerras que lhes impuseram.

Apelamos ao fim definitivo da guerra, à abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na região.

Face à probabilidade de agravamento do conflito, que nos aproxima cada vez mais do abismo, o mundo apela a Vossa Santidade para que, do alto da Sua autoridade moral, continue a desempenhar um papel de construtor de pontes, de apaziguamento dos espíritos, de resgate dos valores humanistas, de busca da concórdia e do entendimento entre os Homens.

É urgente que todos os estadistas influentes e figuras públicas com reconhecida autoridade moral actuem conjuntamente para assegurar que, nas relações internacionais, a justiça e o diálogo prevaleçam sobre o uso da força.
Desejo a Vossa Santidade uma boa estadia em Angola e uma missão pastoral profícua e de grande sucesso.

Muito Obrigado.

Fonte: CIPRA

australia.mirex.gov.ao Embaixador da República de Angola na Austrália

António Luvualu de Carvalho



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